
Autor: Adrian McKinty
Gênero(s): Suspense, Thriller Psicológico
Ano de publicação: 2019
Editora: Record (Brasil)
Número de páginas: 336
País: Irlanda / Estados Unidos
Tema(s) centrais: sequestro, manipulação, sobrevivência, dilemas morais, amor parental
Classificação indicativa: Adulto
Nota média (Goodreads): 4.01 ★
Adaptação: Filme em desenvolvimento (Universal Pictures)
Quando o Terror Chega Pelo Telefone
Existem histórias que começam com violência explícita, mas A Corrente, de Adrian McKinty, prefere atacar pelo que há de mais cotidiano: uma ligação inesperada, um pedido impossível, uma ameaça que não permite escolha. A obra se apoia na vulnerabilidade humana mais profunda — o medo de perder um filho — e constrói, a partir disso, um thriller psicológico que não apenas prende, mas sufoca.
Desde o início, o romance deixa claro que não se trata de um crime comum. A Corrente não age por impulso; age por método. E, por isso mesmo, se torna tão perturbadora.
Rachel: Entre a Dor e a Determinação
Rachel Klein, protagonista da história, estava reconstruindo a própria vida quando a Corrente a escolhe. Após enfrentar um divórcio doloroso e um diagnóstico recente de câncer, ela tenta retomar a normalidade ao lado da filha Kylie. No entanto, quando recebe a ligação que anuncia o sequestro da menina, sua rotina se despedaça em segundos.
O desespero inicial logo dá lugar à adrenalina frenética: a única forma de salvar Kylie é sequestrar outra criança — e convencer os pais dessa criança a fazer o mesmo com outra família.
A narrativa usa esse conflito para ilustrar até onde alguém vai quando tudo aquilo que ama está em risco. Rachel, portanto, se torna símbolo de um instinto que ultrapassa moralidade, medo ou fraqueza.
A Corrente: Um Sistema Criado Para Nunca Acabar
O grande antagonista do romance não é uma pessoa, mas um mecanismo.
A Corrente funciona como rede criminosa altamente organizada, sustentada por:
medo
vigilância constante
manipulação emocional
anonimato completo
vítimas transformadas em cúmplices
Essa estrutura cria tensão permanente. Os envolvidos não sabem quem os observa, como são monitorados ou por quanto tempo durarão as consequências de suas escolhas.
A genialidade sombria da Corrente está em transformar vítimas em agentes involuntários, criando laços de culpa que impedem denúncia e fuga.
É por isso que o sistema funciona: não é apenas um crime; é uma engenharia de controle psicológico.
Culpa, Moralidade e a Linha Que Se Rompe
Rachel, inicialmente, acredita que jamais seria capaz de fazer mal a alguém. Contudo, enquanto percebe que cada minuto perdido coloca Kylie em risco, compreende que a moralidade se torna secundária diante da sobrevivência.
A grande reflexão do livro surge aqui: Até onde uma pessoa “boa” vai quando a vida de alguém que ama depende disso?
Essa pergunta move a protagonista e nos coloca no centro de um dilema ético que se torna cada vez mais complexo à medida que as consequências se acumulam.
A Força de Rachel Está na Resistência, Não na Perfeição
Um dos pontos mais fortes da personagem é que ela não é retratada como heroína clássica. Rachel é humana: sente medo, raiva, culpa, desespero. Ela vacila, erra, tenta reparar, enfrenta recaídas.
E é justamente essa imperfeição que a torna profunda.
Enquanto luta para salvar a filha, ela também luta para manter sua própria identidade intacta. A Corrente exige mais do que ações; exige transformações físicas e psicológicas que nem sempre podem ser revertidas.
Rachel avança porque não tem escolha, mas também porque encontra força em vulnerabilidades que a perseguiam há anos.
Kylie: Coragem Silenciosa em Meio ao Caos
Paralelamente, acompanhamos momentos da experiência de Kylie durante o sequestro. A jovem demonstra resiliência marcante, reforçando o impacto emocional do livro.
Ela enfrenta medo, isolamento e manipulação com maturidade surpreendente, o que complementa a jornada materna e amplia a dimensão emocional da narrativa.
A relação entre mãe e filha, mesmo distante, mantém o fio emocional que sustenta toda a história.
Quando a Vítima Decide Reverter o Jogo
O livro ganha novo ritmo quando Rachel percebe que libertar Kylie não é suficiente. Enquanto a Corrente existir, outras famílias sofrerão o mesmo que ela sofreu e, pior ainda, elas próprias nunca estarão realmente seguras.
Esse momento marca uma virada essencial: Rachel deixa de reagir e começa a atacar. Esse shift de postura cria outra camada de tensão, mais ativa e estratégica, permitindo que o thriller avance de forma empolgante até o desfecho.

Dilemas e Cicatrizes Que Não Desaparecem
À medida que a investigação se aprofunda, fica claro que a Corrente não é apenas uma organização, mas um espelho distorcido de como medo e poder moldam comportamentos humanos.
A trama sugere que terror eficiente não depende apenas da violência física, mas do colapso psicológico de quem o vivencia.
Rachel e Kylie, depois de tudo, não saem ilesas emocionalmente, e o livro não tenta suavizar isso.
As cicatrizes ficam, mas também deixam espaço para reconstrução.
O Final Que Pesa, Mas Liberta
Quando finalmente confronta as mentes por trás da Corrente, Rachel revela algo que se esconde desde o início: sua força não nasceu do ódio, mas da resistência.
O desfecho não é apenas uma vitória; é um fechamento simbólico de todas as camadas que o romance criou: medo, culpa, perda, reconstrução e a constante pergunta: Como seguir em frente depois do irreparável?
A Corrente não entrega respostas fáceis, mas oferece uma conclusão emocionalmente coerente e profundamente humana.
Quando Fechamos o Livro
O romance se destaca por equilibrar ação e profundidade psicológica. Ele não se limita a mostrar violência ou reviravoltas; ele explora o impacto emocional do terror prolongado.
Rachel emerge como protagonista forte porque encara seus medos de frente, inclusive os que existiam antes mesmo da Corrente.
Ao final, percebemos que sobreviver não é apenas escapar do perigo; é aprender a viver apesar do que aconteceu.
E você? Até onde acha que alguém iria por quem ama? Conte nos comentários.
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E, caso prefira histórias com profundidade emocional e dilemas humanos, Os Sete Maridos de Evelyn Hugo revela outro tipo de luta — entre escolhas, segredos e o peso do passado.
