
Autora: Lori Nelson Spielman
Gênero(s): Romance Contemporâneo, Drama
Ano de publicação: 2013
Editora: Verus (Brasil)
Número de páginas: 364
País: Estados Unidos
Tema(s) centrais: autodescoberta, propósito, relações familiares, amadurecimento emocional
Classificação indicativa: Jovem Adulto / Adulto
Nota média (Goodreads): 4.03 ★
Adaptação: Não possui adaptação confirmada
Quando a Vida Muda Antes de Estarmos Preparados
Algumas histórias começam com rupturas que não pedem licença, e A Lista de Brett, de Lori Nelson Spielman, é uma delas. Logo no início, o leitor se depara com o falecimento da mãe de Brett e com um testamento inesperado que reorganiza sua vida inteira. A perda, embora dolorosa, torna-se o ponto de partida para uma jornada de transformação que mistura dor, coragem, humor e descobertas essenciais.
O romance convida a refletir sobre como estruturas emocionais construídas ao longo dos anos podem ruir de repente e, apesar disso, abrir caminhos que antes pareciam inalcançáveis.
A Lista Que Reacende Sonhos Antigos
O cerne da narrativa está na lista de desejos que Brett escreveu quando era criança. Para receber sua herança, ela precisa realizar todos os itens que prometeu a si mesma anos atrás. Essa ideia, embora pareça simples, traz à tona um tema profundo: o que acontece quando nos distanciamos da pessoa que éramos e da pessoa que desejávamos ser?
Cada tarefa funciona como chave que abre portas esquecidas: desejos ignorados, dons abafados, relações abandonadas.
Além disso, a lista revela que a criança que Brett foi não estava enganada; ela enxergava com sinceridade aquilo que poderia torná-la plena. Redescobrir esses sonhos significa, portanto, reencontrar sua essência.
Brett Entre Medo e Autenticidade
A protagonista inicia a história vivendo de forma confortável, porém desconectada. Ela trabalha na empresa da família sem verdadeira paixão, mantém relações superficiais e evita se questionar profundamente.
Quando a lista retorna, sua primeira reação é recuar. Mudar significa perder controle, abandonar certezas e se arriscar em territórios desconhecidos. No entanto, é justamente nesse espaço de vulnerabilidade que ela começa a florescer.
A narrativa mostra que, passo a passo, Brett aprende a se desapegar das versões de si mesma criadas para agradar, corresponder ou sobreviver, e começa a construir, com verdade, a vida que deseja.
A Relação Entre Mãe e Filha Como Força Invisível
Um dos pontos mais emocionantes do livro é a presença constante da mãe, mesmo após sua morte.
As cartas deixadas para Brett funcionam como bússolas emocionais, entregando conselhos, reflexões e uma dose de amor que atravessa o tempo.
Essa presença afetuosa, no entanto, não impede conflitos; pelo contrário, expõe feridas e questionamentos que Brett evitava enfrentar.
A escrita de Spielman constrói essa relação com delicadeza, mostrando que amor materno pode ser firme, provocador e profundamente orientador, mesmo quando chega em forma de despedida.
O Peso da Coragem em Cada Escolha
À medida que Brett avança pelos itens da lista, ela se depara com situações que exigem coragem real.
Algumas decisões parecem simples, mas envolvem perdas inesperadas; outras exigem que ela confronte crenças que sustentou durante anos.
O livro aponta que coragem não é ausência de medo, mas presença de significado.
E, nesse processo, Brett descobre que viver com autenticidade exige coragem diária, da mesma forma que exige aceitação, humildade e disposição para errar.

O Amor Como Caminho e Não Como Fuga
Outro aspecto marcante da narrativa é o amadurecimento afetivo da protagonista.
No início, Brett busca validação externa e apoia sua autoestima em relacionamentos que não a nutrem. Com o tempo, entretanto, ela percebe que o amor verdadeiro não se sustenta em dependência, mas em conexão, honestidade e reciprocidade.
A jornada emocional inclui encontros, desencontros e decepções que ecoam experiências universais, especialmente a necessidade de aprender a amar a si mesma antes de amar plenamente outra pessoa.
Identidade, Propósito e Redescoberta
Quando Brett reencontra sua vocação — não a que escolheu por conveniência, mas a que habita sua sensibilidade —, o romance ganha profundidade especial.
Ela descobre que propósito não está necessariamente nas expectativas externas, mas naquilo que acende seu coração.
Essa descoberta transforma sua trajetória profissional e emocional, reforçando o tema central da obra: a vida ganha sentido quando alinhamos coração, escolhas e verdade interior.
A Importância de Pertencer a Si Mesma
A força do livro está justamente na evolução de Brett. Ela passa a escutar a própria voz, a assumir riscos e a reconhecer que pertencimento não se conquista agradando, mas respeitando limites e desejos.
Essa transformação a aproxima de relações mais autênticas e de uma alegria que foi, por muito tempo, silenciada.
O Final Que Cura e Inspira
A conclusão do romance traz sensação de completude, não porque tudo termina perfeito, mas porque tudo termina verdadeiro.
Brett entende que imperfeição faz parte da vida, que recomeços podem surgir do inesperado e que, quando permitimos que nossos sonhos antigos encontrem espaço no presente, algo profundamente belo acontece.
O livro não entrega apenas emoção; entrega inspiração. Ele lembra que sempre há tempo para reconstruir a própria vida e que, às vezes, o melhor caminho é aquele que a criança que fomos já sabia indicar.
Quando Fechamos o Livro
A Lista de Brett fala sobre perda, mas também celebra reencontros. Fala sobre medo, mas exalta coragem. Fala sobre dor, mas aponta para renascimentos possíveis.
É uma obra que acolhe, emociona e incentiva o leitor a revisitar seus próprios sonhos: aqueles que, muitas vezes, deixamos adormecidos para caber em vidas que não foram feitas para nós.
Ao final, entendemos que a lista de Brett não é apenas dela; é também um convite para observar como podemos viver de maneira mais honesta e significativa.
E você? Qual desejo da sua infância ainda pede espaço na sua vida adulta? Conte nos comentários.
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E, caso prefira narrativas que exploram coragem, autenticidade e crescimento pessoal, A Coragem de Ser Imperfeito oferece reflexões profundas sobre vulnerabilidade, pertencimento e a força de viver com verdade.
